O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês), divulgado no final de outubro, mais uma vez coloca o futuro do planeta em alerta. As previsões do documento não são nada animadoras: caso seja mantido o aumento dos níveis atuais de emissões de gases de efeito estufa, a Terra pode registrar acréscimo de quatro graus nos próximos 85 anos, o que teria consequências desastrosas para o planeta.
Conforme o relatório, o tempo para limitar o aquecimento global a apenas 2ºC até 2100 está se esgotando. De acordo com o painel, as atuais emissões levaram os três principais gases – dióxido de carbono (o gás carbônico, conhecido também pela fórmula CO2), metano e óxido nitroso – a seus maiores níveis em 800 mil anos.
A perspectiva é alarmante, mas não catastrófica, indica Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP). Com o quadro atual, mudanças climáticas podem ser esperadas, como mais tempestades e inversões de temperatura. “A única coisa que a humanidade pode fazer agora é reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se preparar para um clima mais inóspito, já que aumentará a frequência de eventos climáticos extremos”, explica.
O terceiro principal responsável pelos gases de efeito estufa, a União Europeia, anunciou, no último dia 23, objetivo de reduzir em 40% suas emissões até 2030, em comparação com os índices de 1990. O bloco é responsável hoje por 15,6% dos gases, atrás de China e Estados Unidos. Na reunião que definiu essas medidas, foi feito um pacto para que ao menos 27% do suprimento energético seja de fontes renováveis, e também que a eficiência energética aumente 27% até 2030.
De acordo com Naomi Oreskes, professora de história da ciência na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e conferencista do ciclo de palestras TED, as medidas anunciadas pela União Europeia são apenas o primeiro passo para reduzir o impacto ambiental causado pela humanidade nas últimas décadas. “Não temos como saber hoje se essas medidas serão efetivas. São, certamente, na direção correta, mas apenas um passo. Ainda há muito mais para fazer”, diz.
Conforme Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, a solução não deve passar apenas pelos países desenvolvidos. “Para que essa medida seja eficiente, precisamos de um corte de 70% nas emissões até 2030. E esse corte tem que ser global, pois se os países em desenvolvimento ficarem de fora, União Europeia e Estados Unidos teriam que reduzir ainda mais o percentual”, explica.
Brasil – O Brasil faz parte da lista de países que precisa cortar suas emissões. Apesar de não ter grandes emissões de gás carbônico – é apenas o 13º colocado no ranking mundial, com 2,3 toneladas de CO2 per capita –, o País tem números altos na emissão de metano e de óxido nitroso, gases típicos da agricultura, pecuária e dos desmatamentos: é o sexto colocado, representando 2,6% do total mundial, de acordo com o Instituto de Recursos Mundiais (WRI). Por isso, o Ministério do Meio Ambiente tem uma meta ambiciosa para os próximos seis anos: reduzir, até 2020, em pelo menos 36,1% a emissão dos gases de efeito estufa, frente aos índices apresentados em 2009, quando o país assumiu esse compromisso com a ONU.
A Floresta Amazônica é parte essencial da preocupação climática brasileira. Para Artaxo, o Brasil tem feito um bom papel em reduzir o desmatamento, apesar dos números de agosto e setembro, que apontam elevação do problema em relação ao ano passado. “O Brasil fez um excelente esforço em reduzir o desmatamento na Amazônia de 27 mil km2 por ano em 2005 para 5 mil em 2013. Esse esforço tem que continuar”, afirma o pesquisador.
Entre as iniciativas apontadas pelo Ministério do Meio Ambiente para frear o desmatamento, estão o Plano de Ação para Prevenção e Controle de Desmatamento na Amazônia (PPCDAM), o Fundo Amazônia e o Plano e a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Uma das intervenções do governo levou à criação de 240.000 km2 de novas áreas protegidas na Amazônia em regiões onde o desmatamento é mais intenso. Essas áreas, caso sejam devidamente protegidas, poderão evitar, nos próximos anos, a liberação de aproximadamente 600 milhões de toneladas de carbono para a atmosfera, segundo estimativas do governo.
Conforme Artaxo, o principal problema do Brasil é no setor energético, com o crescimento recente – e não a diminuição – do uso de combustíveis fósseis na produção de energia elétrica. “A saída é implantar grandes projetos de aproveitamento de energia eólica e solar, especialmente no Nordeste”, aponta.
Ceticismo – Para que essas medidas tenham alguma chance de sucesso, o debate acerca do tema é essencial. Ainda hoje, há cientistas que não acreditam que a influência humana seja determinante para as mudanças climáticas. “As ações humanas têm sido bem documentadas pelo IPCC e outros órgãos, e as emissões humanas de combustíveis fósseis mudaram a temperatura do planeta – e vão continuar a mudar – de forma constante”, afirma Naomi, da Universidade Harvard.
As “evidências gritantes”, segundo a professora, estão no relatório e em outras constatações de cientistas de todo o mundo. “O aquecimento global está acontecendo e nós sabemos que está acontecendo agora. Temos evidências gritantes com relação a isso, baseadas na física e em observações a respeito do meio ambiente. O aumento na temperatura registrado é consequência, sim, dos gases do efeito estufa, do desmatamento e das atividades humanas”, sentencia.
Futuro – Para Naomi, a menos que a ação humana sobre o clima global seja contida, a vida será pior para muita gente. “Não acho que as coisas vão dar errado de uma vez”, acredita a professora. “Os danos ambientais não devem representar uma catástrofe, mas uma morte causada por uma sucessão de pequenos cortes. Os países pobres verão muito mais gente pobre passando fome e sofrendo com doenças. Já os países ricos terão que gastar muito mais do que já gastam para combater esses problemas. Nós todos vamos ficar mais pobres, também em termos culturais, se locais como as florestas e a Grande Barreira de Corais deixarem de existir. As democracias terão que enfrentar problemas nunca antes vistos. Não quero dizer que o progresso vá acabar – isso seria muito histriônico –, mas que vamos, sim, ter desafios bem complicados”.
Fonte: Terra
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